17 de set. de 2010

Santa Catarina de Bolonha



SANTA CATARINA DE BOLONHA (1413-1463)

Filha de Benvenuta Mamolim e de Giovani Vigri, Catarina nasceu em Bolonha no ano de 1413. Foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina decide-se pela vida religiosa. Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, tia Lúcia Mascaroni que na época a dirigia. Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus. Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara. Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotam finalmente a Regra própria de Santa Clara. O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas Clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida - o que considerou como o seu noviciado - Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara. Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si mesma os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs. Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual. Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, nas véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já  se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado. A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de Clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Giovana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496). Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e dovoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos. A partir de 1461, Catarina passa por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463. Foi beatificada pelo Papa Clemente VII. Em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini. Está  sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos. É um dos casos mais interessantes na história!  A festa de Santa Catarina se celebra no dia 9 de maio.

BIBLIOGRAFIA
LAINATI, Chiara Augusta - Temi Spirituali dagli Scritti del Secondo Ordine Francescano. Santa Maria degli Angeli, Assisi 1970.
RICCIARDI, Renzo, Santa Caterine da Bologne Scuola Grafica Salesiana, Bologna 1970
MUCCIOLI, Maurizio - Santa Caterine da Bologne - M¡stica del Quattrocento. Antoniano Ed Nigrizia. Bologna 1963

Reforma Bolonhense


 
Reforma Bolonhense da Ordem de Santa Clara (1431-1463)
(Santa Catarina de Bolonha)

A reforma que agora vamos estudar e que denominamos Bolonhense, não se iniciou propriamente em Bolonha, mas em Ferrara (Itália). Recebe este nome mais pela influência de sua grande realizadora, Santa Catarina de Bolonha. Aos 14 anos, Catarina ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas em Ferrara. Conhecendo os Frades Menores da Observância entusiasmou-se profundamente pela adoção da Regra de Santa Clara. Seu influxo foi decisivo junto a Lúcia Mascaroni, que então dirigia a comunidade e que era sobrinha da nobre senhora Bernardina, fundadora do Mosteiro. O processo foi lento e penoso. Existiram inúmeras dificuldades criadas por parte de Ailisia, uma das irmãs, que alegava ser desejo da fundadora que assumissem a Regra de Santo Agostinho. Surgem litígios, críticas e antagonismos. Um grupo maior permanece idealista em relação à Regra de Santa Clara. Lúcia Mascaroni, as Bem-aventuradas Paula Mezzavaca, Giovana Lambetini e Iluminata Bembo são as mais influentes. Estas três últimas partirão com Catarina para a fundação em Bolonha. Em 1431, optam finalmente pela vida clariana. Ailisia deixa a comunidade. Recebem no mesmo ano um grupo de Clarissas do Mosteiro de Corpus Christi de Mântua (fundado em 1420 com a Regra de Santa Clara, e os cuidados dos Observantes, por Paula Malatesta, também conhecida como Batista de Montefeltro), para as introduzir na vivência do ideal primitivo da fundadora da Ordem. Mântua é um foco importante da reforma Observante e essas clarissas são enviadas a Ferrara por Ordem do Papa Eugênio IV. Em 1432, depois de um período de formação, as Terciárias Agostinianasprofessam a Regra de Santa Clara, tornando-se definitivamente Clarissas. Em 1456, vinte e quatro anos depois, Catarina sai de Ferrara com quinze companheiras para fundar o Mosteiro de Corpus Domini na Bolonha, sua cidade natal. É o auge da reforma: a forma de santidade das fundadoras, a vasta cultura e os dotes pessoais de Catarina e sua intensa vida mística irradiam um poder de atração enorme, naquela cidade considerada uma das mais doutas da época. O número de Clarissas aumenta rapidamente e o Mosteiro torna-se famoso - um verdadeiro centro de espiritualidade para os estudiosos mestres e para os estudantes de Bolonha ou das cidades vizinhas.  Esta reforma radicou-se na volta à simplicidade da vida pobre, do silêncio e da oração, na clausura vivida  com alegria e no trabalho partilhado por todas.

BIBLIOGRAFIA
OMAECHEVARRIA. Ignacio, - Las Clarisas a través de los Siglos. Editorial Cisneros, Madrid 1972. (p 97; 120; 123).
RICCIARDI, Renzo - Santa Catarina de Bolonha, Scuola Grafica Saliziana, Bolonha, 1970.
MUCCIOLI. Maurizio - Santa Catarina de Bolonha - Mistica del Quatrocentro. Antoniano. Ed Nigrizia, Bolonha 1963.

10 de mai. de 2010

Poema de Santa Catarina

 


Natividade de Jesus - Santa Caterina Vigri de Bologna
(tradução: Irmã Sandra Maria)
Hoje nasceu o nosso belo Senhor
E nos arrancou das mão de Lúcifer.
Hoje nasceu o Filho de Deus Verdadeiro,
afastou a guerra e nos trouxe a paz.
Hoje nasceu o verdadeiro Messias
Para iluminar aqueles que jaziam nas trevas.
Hoje nasceu o Verbo Divino
E por nós se fez Pobre Peregrino.
Hoje nasceu aquele doce e belo Menino
Que foi anunciado por Gabriel.
Hoje nasceu o Altíssimo senhor
Que se fez pobre por nosso amor.
Hoje nasceu o magno Sacerdote
E São José foi-lhe dado por companheiro.
Hoje nasceu o doce Peregrino
E no pungente feno começa o seu caminho.
Hoje nasceu Jesus, meu belo amor
E foi colocado entre o boi e o asno.
 
De Nativitate Christi - Santa Caterina Vigri de Bologna
(no dialeto italiano em que foi composto)
Ancòi è nato el nostro signor bello,
et àce rescosso delle mane de Lucifero.
Ancòi è nato el figliol de Dio verace;
sbandito ha la guerra e facto la gran pace.
Ancòi è nato el ver Messia;
per illuminare quelli ch'eran in tenebria.
Ancòi è nato el verbo divino
e per noi è facto povero pelegrino.
Ancòi è nato quel dolce fantin bello
che annuntiato fu dal Gabriello.
Ancòi è nato l'altissimo Signore
ed è facto povero per lo nostro amore.
Ancòi è nato el sacerdote magno
e Iosseph sancto gli è dato per compagno.
Ancòi è nato el dolce pelegrino
e nel pungente fieno comença el suo camino;
ancòi è nato Iesù amore mio bello
ed è colocato fra el bove e l'asinelo.

9 de mai. de 2009

Palavras do Papa sobre Catarina

 

CateEscr

PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL Sala Paulo VI

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010 - Santa Catarina de Bolonha

Prezados irmãos e irmãs,

Numa recente catequese falei de Santa Catarina de Sena. Hoje gostaria de vos apresentar outra santa, menos conhecida, que tem o mesmo nome: Santa Catarina de Bolonha, mulher de vasta cultura, mas muito humilde; dedicada à oração, mas sempre pronta a servir; generosa no sacrifício, mas cheia de alegria no acolhimento da cruz com Cristo. Nasce em Bolonha a 8 de Setembro de 1413, primogênita de Benvenuta Mammolini e de Giovanni de Vigri, patrício rico e culto de Ferrara, doutor em leis e leitor público em Pádua, onde desempenhava funções diplomáticas para Niccolò III d’Este, marquês de Ferrara. As notícias sobre a infância e a adolescência de Catarina são escassas e nem todas são precisas. Vive a infância em Bolonha, na casa dos avós; ali é educada pelos parentes, sobretudo pela mãe, mulher de grande fé. Transfere-se com ela para Ferrara com cerca de dez anos e entra na corte de Niccolò III d’Este como dama de honra de Margherita, filha natural de Niccolò. O marquês está a transformar Ferrara numa cidade esplendorosa, chamando artistas e letrados de vários países. Promove a cultura e, embora leve uma vida particular não exemplar, cuida muito do bem espiritual, da conduta moral e da educação dos súditos. Em Ferrara Catarina não se ressente dos aspectos negativos, que muitas vezes a vida de corte comportava; goza da amizade de Margherita e torna-se a sua confidente, enriquecendo a sua cultura: estuda música, pintura e dança; aprende a poetizar, a escrever composições literárias e a tocar violão; torna-se perita na arte da miniatura e das transcrições; aperfeiçoa o estudo do latim. Na futura vida monástica valorizará muito o património cultural e artístico adquirido nesses anos. Aprende com facilidade, com paixão e com tenacidade; mostra grande prudência, modéstia singular, graça e gentileza no comportamento. Contudo, uma característica distingue-a de modo absolutamente claro: o seu espírito constantemente dirigido para as realidades do Céu. Em 1427, com apenas 14 anos, também após alguns acontecimentos familiares, Catarina decide deixar a corte para se unir a um grupo de jovens mulheres provenientes de famílias nobres que viviam em comum, consagrando-se a Deus. Com fé, a mãe consente, embora tivesse outros projectos para ela. Não conhecemos o caminho espiritual de Catarina antes desta escolha. Falando em terceira pessoa, ela afirma que entrou ao serviço de Deus “iluminada pela graça divina (...) com consciência recta e grande fervor”, solícita noite e dia à santa oração, comprometendo-se em conquistar todas as virtudes que via nos outros, “não por inveja, mas para agradar mais a Deus, em quem tinha posto todo o seu amor” (Le sette armi spirituali, VII, 8, Bolonha 1998, p. 12). São notáveis os seus progressos espirituais nesta nova fase da vida, mas são também grandes e terríveis as provas, os sofrimentos interiores, sobretudo as tentações do demônio. Atravessa uma profunda crise espiritual, até ao limitar do desespero (cf. ibid., VII, pp. 12-29). Vive na noite do espírito, provada também pela tentação da incredulidade em relação à Eucaristia. Depois de sofrer muito, o Senhor consola-a: numa visão, concede-lhe um conhecimento claro da presença eucarística real, um conhecimento tão luminoso que Catarina não consegue expressar com palavras (cf. ibid., VIII, 2, pp. 42-46). No mesmo período, uma prova dolorosa abate-se sobre a comunidade: surgem tensões entre quem quer seguir a espiritualidade agostiniana e quem está mais orientado para a espiritualidade franciscana. Entre 1429 e 1430 a responsável do grupo, Lúcia Mascheroni, decide fundar um mosteiro agostiniano. Catarina, ao contrário, com outras escolhe vincular-se à Regra de Santa Clara de Assis. É um dom da Providência, porque a comunidade habita perto da Igreja do Espírito Santo, anexa ao convento dos Frades Menores que aderiram ao movimento da Observância. Assim, Catarina e as companheiras podem participar regularmente nas celebrações litúrgicas e receber uma assistência espiritual adequada. Têm também a alegria de ouvir a pregação de São Bernardino de Sena (cf. ibid., VII, 62, p. 26). Catarina narra que, em 1429 terceiro ano da sua conversão vai confessar-se com um dos Frades Menores que ela estimava, realiza uma boa Confissão e pede intensamente ao Senhor que lhe conceda o perdão de todos os pecados e da pena a eles ligada. Deus revela-lhe em visão que lhe perdoou tudo. É uma experiência muito forte da misericórdia divina, que a marca para sempre, dando-lhe novo impulso para responder com generosidade ao imenso amor de Deus (cf. ibid., IX, 2, pp. 46-48). Em 1431 tem uma visão do juízo final. A cena assustadora dos condenados impele-a a intensificar orações e penitências para a salvação dos pecadores. O demônio continua a atacá-la e ela confia-se de modo cada vez mais total ao Senhor e à Virgem Maria (cf. ibid., X, 3, pp. 53-54). Nos escritos, Catarina deixa-nos algumas notas essenciais deste combate misterioso, do qual sai vitoriosa com a graça de Deus. Fá-lo para instruir as suas irmãs de hábito e aquelas que tencionam percorrer o caminho da perfeição: quer alertar contra as tentações do demônio, que muitas vezes se esconde sob aparências enganadoras, para depois insinuar dúvidas de fé, incertezas vocacionais e sensualidades. No tratado autobiográfico e didascálico “As sete armas espirituais”, Catarina oferece a este propósito ensinamentos de grande sabedoria e de profundo discernimento. Fala em terceira pessoa, citando as graças extraordinárias que o Senhor lhe concede, e em primeira pessoa para confessar os próprios pecados. Do seu escrito transparece a pureza da sua fé em Deus, a profunda humildade, a simplicidade de coração, o ardor missionário e a paixão pela salvação das almas. Delineia sete armas de luta contra o mal, contra o demônio: 1. ter o cuidado e a solicitude de realizar sempre o bem; 2. acreditar que sozinhos nunca poderemos fazer algo verdadeiramente bom; 3. confiar em Deus e, por amor a Ele, jamais ter medo da batalha contra o mal, quer no mundo, quer em nós mesmos; 4. meditar com frequência sobre os acontecimentos e as palavras da vida de Jesus, sobretudo a sua paixão e morte; 5. recordar-se que devemos morrer; 6. ter fixa na mente a memória dos bens do Paraíso; 7. ter familiaridade com a Sagrada Escritura, trazendo-a sempre no coração para que oriente todos os pensamentos e toda as obras. Um bonito programa de vida espiritual, também hoje, para cada um de nós! No convento, não obstante fosse habituada à corte de Ferrara, Catarina desempenha funções de lavadeira, costureira, padeira e encarregada de cuidar dos animais. Faz tudo, até os serviços mais humildes, com amor e pronta obediência, oferecendo às irmãs de hábito um testemunho luminoso. Com efeito, ela vê na desobediência aquele orgulho espiritual que destrói todas as outras virtudes. Por obediência aceita o cargo de mestra das noviças, não obstante se considere incapaz de desempenhar tal função, e Deus continua a animá-la com a sua presença e os seus dons: com efeito, é uma mestra sábia e apreciada. Em seguida confiam-lhe o serviço do parlatório. Custa-lhe muito interromper com frequência a oração para responder às pessoas que se apresentam à grade do mosteiro, mas também desta vez o Senhor não deixa de a visitar e de lhe estar próximo. Com ela, o mosteiro é cada vez mais um lugar de oração, de oferta, de silêncio, de cansaço e de alegria. Quando faleceu a abadessa, os superiores pensam imediatamente nela, mas Catarina impele-as a dirigir-se às Clarissas de Mântua, mais instruídas nas constituições e nas observâncias religiosas. Contudo, poucos anos depois, em 1456, pede-se ao seu mosteiro que crie uma nova fundação em Bolonha. Catarina preferiria terminar os seus dias em Ferrara, mas o Senhor aparece-lhe e exorta-a a cumprir a vontade de Deus e ir a Bolonha como abadessa. Prepara-se para o novo compromisso com jejuns, disciplinas e penitências. Parte para Bolonha com dezoito irmãs de hábito. Como superiora é a primeira na oração e no serviço; vive em profunda humildade e pobreza. Quando termina o mandato do triênio de abadessa, é feliz por ser substituída, mas depois de um ano deve retomar as suas funções, porque a nova eleita ficou cega. Apesar do sofrimento e das graves enfermidades que a atormentam, ela desempenha o seu serviço com generosidade e dedicação. Ainda por um ano exorta as irmãs de hábito à vida evangélica, à paciência e à constância nas provas, ao amor fraterno, à união com o Esposo divino, Jesus, para preparar deste modo o seu dote para as bodas eternas. Um dote que Catarina vê no saber compartilhar os sofrimentos de Cristo, enfrentando com serenidade as dificuldades, angústias, desprezos e incompreensões (cf. Le sette armi spirituali, X, 20, pp. 57-58). No início de 1463 as enfermidades agravam-se; reúne as irmãs de hábito pela última vez no Capítulo, para lhes anunciar a sua morte e recomendar a observância da Regra. Por volta do fim de fevereiro é provada por fortes sofrimentos que já não a deixarão, mas é ela que conforta as irmãs na dor, assegurando-lhes a sua ajuda inclusive do Céu. Depois de ter recebido os últimos Sacramentos, entrega ao confessor o escrito “As sete armas espirituais” e entra em agonia; o seu rosto faz-se bonito e luminoso; olha ainda com amor para quantas a circundam e expira docilmente, pronunciando três vezes o nome de Jesus: é o dia 9 de Março de 1463 (cf. I. Bembo, Specchio di illuminazione. Vita di S. Caterina a Bologna, Florença 2001, cap. III). Catarina será canonizada pelo Papa Clemente XI no dia 22 de Maio de 1712. Na cidade de Bolonha, na capela do mosteiro do Corpus Domini, conserva o seu corpo incorrupto. Caros amigos, Santa Catarina de Bolonha, com as suas palavras e com a sua vida, é um forte convite a deixar-nos guiar sempre por Deus, a cumprir quotidianamente a sua vontade, embora muitas vezes não corresponda aos nossos desígnios, a confiar na sua Providência que jamais nos deixa sozinhos. Nesta perspectiva, santa Catarina fala conosco; à distância de muitos séculos, ainda é muito moderna e fala à nossa vida. Como nós, ela sofre a tentação, padece as tentações da incredulidade, da sensualidade, de um difícil combate espiritual. Sente-se abandonada por Deus, encontra-se na obscuridade da fé. Mas em todas estas situações apoia-se sempre na mão do Senhor, não o deixa, não o abandona. E caminhando de mãos dadas com o Senhor, percorre a via reta e encontra o caminho da luz. Assim, diz-nos também a nós: coragem, também na noite da fé, mesmo em muitas dúvidas que possam existir, não deixa a mão do Senhor, caminha de mãos dadas com Ele, crê na bondade de Deus; assim é caminhar pela vida reta! E gostaria de ressaltar outro aspecto, o da sua grande humildade: é uma pessoa que não quer ser alguém ou algo; não deseja aparecer; não quer governar. Deseja servir, cumprir a vontade de Deus, estar ao serviço dos outros. E precisamente por isso, Catarina era credível na autoridade, porque se podia ver que para ela a autoridade era precisamente servir o próximo. Peçamos a Deus, por intercessão da nossa Santa, o dom de realizar o pograma que Ele tem para nós, com coragem e generosidade, para que somente Ele seja a rocha sólida sobre a qual se edifica a nossa vida. Obrigado! Saudação, amados peregrinos de língua portuguesa, que viestes junto do túmulo de São Pedro renovar a vossa profissão de fé; a minha saudação de boas-vindas para todos vós, em particular para o grupo de Escoteiros de Penedono, desejando-vos abundantes dons de graça e paz do Deus Menino, que imploro para vós e vossas famílias com a minha Bênção Apostólica. 

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